terça-feira, 28 de abril de 2020


Pantanal em luto: 

aos 101 anáos, morre em Corumbá, o mestre cururueiro Agripino Magalhães 

Artesão enfrentava problemas de saúde e morreu em casa;

Agripino Magalhães é reconhecido como um dos principais defensores da Viola de Cocho.

A Cultura Pantaneira está de luto neste domingo (26), com a morte do mestre curureiro Agripino Magalhães, aos 101 anos. 




Por conta da idade avançada, ele vinha apresentado problemas de saúde e faleceu em casa, segundo informou o Diário Corumbaense. 

Márcia Rolon, diretora do Moinho Cultural Sul-Americano, lamentou a perda. 


“Hoje a cultura amanheceu sem o seu maior Mestre do Saber do Estado


Foram cem anos de histórias cantadas e dançadas em forma de siriri e cururu!






Agora o nosso Mestre Seu Agripino irá poder ter força divina para sapatear e tocar a sua Viola de Cocho!”, postou ela em um perfil de rede social. 


A diretora ainda destacou que Magalhães foi um “grande parceiro” do Moinho Cultural, participando de atividades e ensinando a fabricação e afino da viola de cocho –instrumento que faz parte da história da região. 



“A perda para a cultura é imensa”, afirmou Márcia. 






Nascido em 11 de junho de 1918 em Poconé (MT), Agripino era considerado um dos ícones da cultura local e visto como o maior mestre cururueiro de Corumbá e Ladário, onde se instalou ainda jovem, aprendendo com o avô o ofício de cururueiro –tendo fabricado mais de 300 violas com os padrões e superstições que integram este Patrimônio Cultural Imaterial brasileiro, como lembrado pelo Diário Corumbaense. 


Em 2017, Agripino recebeu pela segunda vez o título de Mestre da Cultura Popular do Ministério da Cultura. 




Também ganhou a Medalha Conceição dos Bugres da Assembleia Legislativa. 

Agripino se aposentou como estivador. 

Foi casado por 70 anos, teve 12 filhos e mais de 30 netos e bisnetos, nenhum deles ligado à arte do cururueiro –único artesão apto a fazer artesanalmente a viola de cocho, a partir de um tronco inteiro. 


O instrumento é o principal usado no cururu e no siriri, duas danças tradicionais do Pantanal. 

Por conta da pandemia de coronavírus, o velório durou duas horas no início desta tarde. 

O sepultamento  emocorreu em  ontem, no Cemitério Santa Cruz, em Corumbá.


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