terça-feira, 8 de setembro de 2020

“INDEPENDÊNCIA OU MORTE" 


                     Dom Aquino Corrêa (Painel do Paim Post)




                       À “Brigada Branca” dos Colégios Salesianos


Foi sobre a tarde, quando o sol declina,

Hora divina das contemplações,

Hora do Gólgota, sublime hora,

Marcada outrora para as redenções.


Deus decretara redimir a terra,

Que o nome encerra da sagrada Cruz,

E a um jovem príncipe entregou a espada

Dessa cruzada de infinita luz.



O herói passava, em seu ginete airoso,

Ao sol radioso, 
que esmaltava os céus:

O ideal fremia-lhe na fronte inquieta,

Era a silhueta de um estranho deus!


Tinha a seus pés, por pedestal, o outeiro

Alvissareiro do Ipiranga em flor;

E a brisa e as árvores e a onda flava,

Tudo cantava de esperança e amor!


E quando ergueu aquele sabre de ouro,

E como estouro de vulcão fatal,

Rugiu nos céus: “Independência ou Morte”

Tinha no porte, um heroísmo ideal!


Responde ao grito, e, delirante, brada

A cavalgada, que nos fez nação;

E o luso tope, que algemava os braços,

Rola em pedaços no brasílio chão!


Entanto o grito: “Independência ou Morte!”

De sul a norte, num fulmíneo 
ecoar,

Livres bandeiras pelo azul desata,

Numa fragata lá transpõe o mar!


Desde o Itatiaia, que assoberba os ares,

Até Palmares, repercute a voz:

Ouvem-na os manes dos fatais guerreiros,

Dias, Negreiros e Poti feroz.


Sorri-lhe o espírito imortal de Anchieta,

Anjo e poeta, que 
o Senhor nos deu;

E, do além túmulo, como que suspira

A infausta lira do gentil Dirceu.


Brota de tudo, e se ouve um hino ardente,

Ardentemente, pelo azul cantar,

Um como hino de Natal que erra,

Do céu à terra, e da montanha ao mar!


E qual Andrômeda, sorrindo agora,

A voz canora do novel Perseu,

Tal surge a Pátria do Cruzeiro lindo,

Livre, sorrindo, para o azul do céu!

Sublime grito: “Independência ou Morte!”

Que o jugo forte do opressor destróis!

Da liberdade és o fatal dilema,

O eterno lema de um país de heróis!


Não és o grito da anarquia infame,

Que espuma e brame, contra Deus e o rei;

Tu és o cântico da liberdade,

Que não evade os muralhões da lei!


Tu és um raio dessa Cruz bendita,

Que além palpita, em nossos puros céus;

És o diadema de uma Pátria ingente,

Que, livre e crente, só se humilha a Deus!

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