MARCELO FREIRE
Colaboração para a Folha Online
Cinqüenta anos após a conquista da primeira Copa do Mundo para o Brasil, na Suécia, o ex-ponta-esquerda Zagallo admite ter pensado que o fracasso da seleção oito anos antes, no próprio país, atormentou sua cabeça na decisão contra os anfitriões suecos, que terminaria com o placar de 5 a 2 para o Brasil.
Mesmo entrando como favorita, a seleção brasileira foi surpreendida aos 4min do primeiro tempo, quando Liedholm abriu o placar para a Suécia, o que trouxe a Zagallo a lembrança do trauma do Maracanazo na Copa-1950.
"Dentro de campo, pensei na Copa de 50. Eu estava servindo o Exército como soldado e vi aquele desastre que foi a derrota do Brasil para o Uruguai por 2 a 1. Quando a Suécia fez o primeiro gol, eu pensei: 'será que vai acontecer a mesma coisa?'", disse Zagallo.
Naquele ano, o Brasil organizou a Copa do Mundo e entrou como franco favorito para a conquista do Mundial. Favoritismo esse que foi confirmado pela ótima campanha da seleção até o jogo decisivo contra o Uruguai, com quatro vitórias, um empate, 21 gols a favor e apenas quatro sofridos.
Na fase final, disputada por quatro equipes em um grupo único, o Brasil havia aplicado duas goleadas históricas sobre a Suécia (7 a 1) e Espanha (6 a 1). Chegava, assim, com a vantagem de poder empatar com o Uruguai para levar a primeira Copa de sua história.
No partida decisiva, no estádio do Maracanã, o Brasil abriu o placar com Friaça, mas sofreu a virada com gols de Schiaffino e Ghiggia, deixando a torcida incrédula.
Em 1958, no entanto, a seleção brasileira conseguiu a virada para 5 a 2 e pôde, finalmente, festejar o título de campeã mundial.
"Eu, inclusive, salvei um gol quando estava 1 a 0. O ponta-esquerda Skoglund cruzou, o Gilmar [goleiro brasileiro] escorregou, eu estava atrás e tirei de cabeça", contou o ex-jogador. "Depois desse lance, nós crescemos no jogo."
Vavá e Pelé (que marcaram duas vezes) e o próprio Zagallo foram os responsáveis pela artilharia na goleada, enterrando definitivamente o trauma de oito anos antes. Simonsson marcou o segundo e descontou para os suecos.
"Ganhamos com facilidade", admitiu Zagallo. "A seleção saiu desacreditada do Brasil e foi crescendo", analisou o ex-jogador, que entrou para a história como autor do penúltimo gol do primeiro título mundial do Brasil, seu único na Copa.
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