Brasil fecha contrato para comprar 6,5 mil respiradores nacionais com entrega em 90 dias, diz Mandetta Ministro da Saúde disse que compras previstas da China não estavam se confirmando e busca alternativa nacional. Por G1 08/04/2020 20h39 Atualizado há 8 horas Mandetta: empresas intensificam fabricação de respiradores no Brasil O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse nesta quarta-feira (8) que as "compras da China não estão se confirmando" e que o Brasil fechou contrato com fabricante nacional para produção de 6,5 mil respiradores em 90 dias com a empresa MagnaMed. "As compras da China estão todas não se confirmando. Estamos abrindo um novo processo de compra", disse Mandetta. “Materializamos uma ação que começou com 45 dias e é extremamente complexa, que é fazer a indústria nacional disparar a produção em tempo reduzido. Temos quatro empresas que produziam uma pequena quantidade de respiradores, bem limitada. Uma delas tinha capacidade de fazer 400 [respiradores] até o fim do ano. Nós a redimensionamos”. De acordo com o ministro, grandes empresas brasileiras estão ajudando no adiantamento de recursos para tentar garantir uma produção interna mais rápida. Além dos 6 mil respiradores previstos em 90 dias, há, ainda, mais três outras empresas que devem reorganizar sua produção. Dois mil respiradores deverão chegar ainda neste mês. Ao todo, o projeto de produção nacional dos respiradores planejado pelo Ministério da Saúde prevê 14 mil unidades, sendo 7 mil respiradores de UTI e 7 mil de transporte. O custo estimado, segundo Mandetta, passa de um bilhão de reais. Incerteza com a China O ministro já demonstrava alguma incerteza com relação a compras de respiradores negociada com a China. Há uma semana, na quarta-feira (1º), havia anunciado uma "possível compra" de 8 mil respiradores do país, com o prazo de 30 de dias para a entrega. Segundo ele, o número conseguiria "acalmar as capitais". "O cenário muda nos respiradores, porque 8 mil respiradores, eu acalmo SP, MG, RJ. Acalmo as capitais. A coisa anda", disse à época. Mesmo assim, o ministro disse não ter como garantir as aquisições de produtos chineses: "(Mas) eu não quero vir aqui e falar: 'Eu tenho tanto. Está comprado'. Está havendo uma quebra entre o que você compra, assina e o que, efetivamente, você recebe". "Às vezes chegam pessoas e falam para quem vendeu: 'olha, você vendeu por quanto? vendeu por 10. E a multa? É tanto, 20%. Bom então tá, então eu pago a multa, pago os 10 e pago mais tanto para você vender pra mim'. Então a coisa está dessa maneira", explicou Mandetta na quarta-feira (1º). Máscaras e os EUA O ministro da saúde também informou nesta terça-feira (7) que irá adquirir toda a produção de máscaras da fábrica da 3M no Brasil, uma das principais empresas do setor. Máscaras do tipo N95 produzidas pela 3M nos Estados Unidos — Foto: Reuters/Nicholas PfosiMáscaras do tipo N95 produzidas pela 3M nos Estados Unidos — Foto: Reuters/Nicholas Pfosi Máscaras do tipo N95 produzidas pela 3M nos Estados Unidos — Foto: Reuters/Nicholas Pfosi "Hoje eu fiz um call com a empresa 3M. A gente vai adquirir a capacidade de produção total dessa fábrica aqui no Brasil. A gente imagina que vai conseguir ter 1,5 milhão até 1,8 milhão de máscaras para o nosso mercado confirmadas no mês de abril. Depois, no mês de maio e, depois, no mês de junho. Quer dizer, a gente vai ter abastecimento razoável", disse Mandetta. O anúncio ocorreu após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizar que poderia embargar toda a produção para o uso exclusivo do país. Mesmo com essa declaração de Mandetta sobre as máscaras, até esta segunda-feira (6), a 3M havia afirmado ao G1 que ainda não tinha como informar se o Brasil seria afetado pela ordem do presidente americano. Na semana passada, Trump invocou a Lei de Produção de Defesa para obrigar a 3M a produzir e vender máscaras N95 para os Estados Unidos na quantidade que o governo julgar necessárias. A lei, dos anos 1950, permite o direcionamento da produção das empresas privadas e foi criada na época porque os americanos temiam problemas de abastecimento durante a Guerra da Coreia. Trump pediu ainda que a 3M parasse de exportar o produto para o Canadá e a América Latina. A companhia respondeu que a medida teria implicações humanitárias significativas e que poderia trazer retaliações de outros países. Sem se sensibilizar, no sábado (4) o presidente dos EUA voltou a defender a retenção de toda a produção em seu país: "Precisamos das máscaras. Não queremos outros conseguindo máscaras. É por isso que estamos acionando várias vezes a Lei de Produção de Defesa. Você pode até chamar de retaliação porque é isso mesmo. É uma retaliação. Se as empresas não derem o que precisamos para o nosso povo, nós seremos muito duros." Trump aciona lei de guerra para garantir que a produção de máscaras fique no país Em resposta a 3M afirmou que ampliou sua produção e que está fabricando o maior número possível de máscaras N95 nas últimas semanas e meses. Em um comunicado divulgado no domingo, a empresa disse que “A 3M continuará a maximizar a quantidade de máscaras que podemos produzir para os heroicos profissionais da saúde nos EUA e no mundo, como fizemos desde janeiro, quando a crise global começou”. Nesta segunda (6) a 3M ainda anunciou que vai importar 166 milhões de mascaras nos próximos 3 meses nos EUA, principalmente de sua fábrica na China, para ajudar a corresponder à demanda do mercado americano.
Nenhum comentário:
Postar um comentário